Sinopse

Um par de carris que leva comboios prenhes de gente com pessoas dentro
Um par de mãos que troca poemas
Um par de olhos, cegos, que vê o silêncio
Um par de fotografias poéticas
Um par de poemas fotografados
Sobre o rio, sob a linha
Alma Tua.

Sentado debaixo de um telhado invisível, pálida lembrança de um passado demasiado perto do olhar, mas profundamente longínquo de um futuro por percorrer, olhava para o céu como quem lia nuvens e tacteava o horizonte como quem escrevia dias.

O caderno caía várias vezes, tombava como o prelúdio anunciador da noite, quando as mãos, que sustentam o dia, se erguem às memórias. E memórias eram o que lhe bailava no olhar, frequentemente húmidas pelo orvalho que o inexistente coberto não conseguia desviar, quem visse com olhos de perscrutar aquela figura abandonada por ela mesma não saberia outro nome por quem lhe chamar, que não fosse Tralhão.

Tralhão, personagem fictícia e por isso mesmo real, vive num apeadeiro de uma linha férrea que lhe corre no destino e, talvez por isso, de lá nunca se conseguiu apear.
Sem viajar, recolhia dos olhares dos passageiros das composições que por lá passavam as paisagens de limites que ele nunca cruzou, terras que nunca viu nascer sob o horizonte e, assim, trocava as letras que escrevia pelos mundos que lia nos viajantes.
Um dia no ocaso da vida, no acaso da existência, descobre paisagens inexistentes nos olhos persistentes de quem apenas no olhar sabe ser o que cada pessoa anseia, amar.

Acompanhe a história na estória, o poema na paisagem, numa viagem pelo imaginário de dois olhares e quatro mãos ao longo de uma linha, que transporta um pouco mais que Pessoas: a Alma de um Povo quase esquecido…

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