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Norberto Valério

Ainda se recorda do dia, criança ainda, em que viu a primeira máquina fotográfica. Parecia magia, as coisas que aquele simples objecto prometia.
A fotografia foi sempre algo especial, que aqui e ali espicaçava a curiosidade e promovia a experimentação.

Foi na ilha de São Miguel, já por volta dos seus 20 anos que a paixão se soltou definitivamente. Afinal, a obra de Deus era por demais grandiosa e indescritível, havia que a gravar em algo palpável que a pudesse eternizar.

Com o regresso ao continente português surgiu a vontade de colmatar uma dívida para com Trás-os-Montes. Uma região tão bela e tão pouco retratada.

O comboio, desde pequeno que lhe preenchia o imaginário, lá de onde o avistava, no alto da colina, entre as oliveiras em fruto. Construía e imaginava histórias com aquelas vidas, simples silhuetas que iam e vinham, ali ao fundo do
outro lado do rio, junto à estação.

O vale do Tua foi um abraço, a tudo o que de melhor têm e representam as suas paisagens…

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Miguel Gomes

Com poucos anos de encadernação descobriu  em 26 cubos de madeira, de pinho, refira-se, o expoente para a base da vida.

À timidez das palavras esconde-as foneticamente, remetendo para a imaginação ou para o papel um peculiar modo de tentar compreender as equações da vida.

Trás-os-Montes é uma letra que resume todas as palavras dos Mundos, um local perdido onde convergem os que procuram perder-se.

O comboio é o soletrado imaginário de um vidro embaciado, umas côdeas duras e um pano branco nas mãos rugosas de quem não se lê.

O Tua é Alma, nua, como quem vive montando cubos ou vidas nas melodias que resistem. É silêncio e lágrima. É vale e rio onde se formam as palavras que se apagam ao vazio.

Sou.

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